Painel da Semana: Desafios na exportação de carne e propostas de longo prazo dominam a abertura do Congresso da ABAG

Resumo das principais notícias do agronegócio brasileiro nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O dia foi marcado pela abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, novos números de crédito rural, aberturas de mercados e ajustes nas exportações de carne bovina, ainda sob o efeito da cota chinesa.

25º Congresso Brasileiro do Agronegócio e agenda para os presidenciáveis

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a B3, realizou nesta segunda-feira (10), em São Paulo, a 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio. O tema escolhido foi “Agro & Indústria – Integrando e Transformando o Brasil”.

Na abertura, estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e lideranças do setor. A Abag entregou aos candidatos à Presidência da República a Agenda Estratégica da Agroindústria, documento com mais de 80 prioridades organizadas em sete pilares: ambiente regulatório e institucional; ciência, tecnologia e inovação; insumos estratégicos; infraestrutura física e digital; seguro e crédito rural; legitimidade e percepção pública; e protagonismo internacional e competitividade global.

O presidente da Abag, Ingo Plöger, defendeu a necessidade de políticas de Estado de longo prazo (cinco a dez anos), que integrem agro e indústria, em vez de depender apenas de planos de safra anuais.

Crédito rural da agricultura empresarial

No primeiro mês da safra 2026/2027 (julho), a agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural. As Cédulas de Produto Rural (CPR) responderam por 66,6% do total (R$ 18,8 bilhões). Os recursos equalizáveis programados para a safra somam R$ 97,6 bilhões.

Novas aberturas de mercado

O Ministério da Agricultura e o Itamaraty anunciaram novas autorizações sanitárias:

Exportações de carne bovina

As exportações brasileiras de carne bovina recuaram em julho, puxadas pela forte queda nos embarques para a China, maior comprador. Segundo dados da Secex compilados pela Abiec, o Brasil embarcou 264,4 mil toneladas no mês (queda de 16,1% em relação a julho de 2025), com receita de US$ 1,58 bilhão (–5,5%).

Para a China, o volume caiu 47% (85,8 mil toneladas) e a receita 50,3% (US$ 537,9 milhões). A redução já era esperada pelo setor devido ao preenchimento da cota anual chinesa (cerca de 1,1 milhão de toneladas com tarifa preferencial). No acumulado de janeiro a julho, no entanto, o volume cresceu 9,9% (1,969 milhão de toneladas) e a receita avançou 28,3% (US$ 11,43 bilhões).

Outros destinos, como Chile, União Europeia e México, aumentaram as compras e ajudaram a sustentar o resultado anual.

Mercado de soja e outros destaques

O Indicador da Soja Cepea/Esalq – Paranaguá voltou a ser negociado acima de R$ 145 a saca nas últimas sessões, após sequência de altas, com demanda firme. O Brasil mantém ritmo forte de exportações e projeta novo recorde em 2026, apesar de a China ter aumentado compras do grão americano nas últimas semanas.

Outros pontos de atenção no setor incluem preocupações com possível excesso de burocracia no registro de bioinsumos e o impacto do El Niño sobre a próxima safra.

O agronegócio brasileiro segue com desempenho robusto nas exportações e no crédito, mas enfrenta ajustes pontuais nas vendas de carne bovina e a necessidade de políticas de longo prazo, conforme destacado no congresso da Abag.

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