Criado em 2006 pelo Senar-SP, programa já formou 45 mil alunos e ajuda estudantes a iniciarem uma carreira no campo com qualificação
O médico veterinário Axel Hergesel sonhava com a profissão desde a infância. Aos cinco anos de idade, ele já dizia aos familiares o que seria quando crescesse. Aos 31 anos, como especialista em anestesia e acupuntura, atende aos seus pequenos pacientes diariamente em uma clínica de Itapetininga, no interior de São Paulo.
Além da parte clínica, ele descobriu outra paixão: lecionar. Semanalmente, Hergesel concilia o atendimento clínico com as aulas que ministra no programa Jovem Agricultor do Futuro (JAF), criado em 2006 pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) e que desde então já formou quase 45 mil jovens em todo o estado.
Sua experiência como professor teve início em 2019, mas sua história se entrelaça à do JAF. Isso porque, em 2008, Hergesel foi um dos jovens selecionados para participar de uma das turmas do projeto em Itapetininga. Na época, ele tinha 14 anos.
“Essa vivência foi importante, me ajudou a ter um norte, a pensar nos meus objetivos para o futuro. Lembro que fizemos um projeto onde tínhamos que escrever onde queríamos estar em cinco, dez anos, e isso me ajudou a planejar minha carreira”, avalia.
A coordenadora técnica do Senar, Priscila Levorin, explica que o JAF é desenvolvido em parceria com os sindicatos rurais dos municípios e tem foco nos jovens entre 14 e 17 anos. As aulas têm início em março e vão até outubro, com uma carga horária total de 464 horas, divididas em 4 horas diárias, de segunda a sexta-feira.
Atualmente, são cerca de 100 sindicatos rurais participantes, que atendem, muitas vezes, diversos municípios da região onde atuam.
“Nosso intuito é mostrar para os jovens os caminhos que podem trilhar. Alguns deles terminaram o programa e foram trabalhar em usinas e empresas do agronegócio. É muito gratificante”, orgulha-se Priscila.
Em Itapetininga são três turmas, sendo duas no período da manhã e uma na parte da tarde, com 15 alunos cada. Os estudantes selecionados — que precisam estar matriculados e frequentando a escola regular — têm aulas teóricas onde aprendem sobre cidadania, trabalho em equipe, segurança do trabalho, empreendedorismo, sustentabilidade, marketing e comunicação.
Na parte prática, eles têm aula em um campo experimental onde aplicam tudo o que aprenderam em sala de aula, desde cultivo de hortaliças, manejo de animais e compostagem até desenvolvimento de embalagens e comercialização dos produtos.
“A transformação é visível. Eles amadurecem, ganham direção e saem mais preparados para os desafios do mundo”, diz Hergesel.
FONTE: GLOBO RURAL











