Recursos aumentaram apenas 2% em relação à temporada anterior; haverá um corte de juros de até 1,5 ponto percentual nas linhas de custeio e investimentos
O Plano Safra da Agricultura Empresarial 2026/27 terá R$ 525,1 bilhões em crédito rural e títulos do agronegócio para médios e grandes produtores, 2% a mais que os R$ 516,2 bilhões anunciados para a temporada anterior, que termina nesta terça-feira (30/6), com incremento nominal de R$ 8,9 bilhões.
Haverá um corte de juros de até 1,5 ponto percentual nas linhas de custeio e investimentos. As taxas para médios e grandes produtores ficará entre 8% e 12,5% ao ano na temporada que começa nesta quarta-feira (1/7).
As informações foram confirmadas à reportagem por fonte do Ministério da Agricultura. Os detalhes foram divulgados em cerimônia no Palácio do Planalto (assista à transmissão no vídeo acima).
Apesar do aumento de recursos e da queda nos juros, as condições não atenderam ao pedido inicial feito pelo Ministério da Agricultura, que queria R$ 570 bilhões em oferta total de recursos e taxas de um dígito para todos os agricultores. Recentemente, secretários da Pasta falaram em conseguir R$ 550 bilhões.
Serão R$ 384,9 bilhões para as operações de custeio e comercialização (queda de 7%) R$ 140,2 bilhões para investimentos (alta de 38%).
O Pronamp terá R$ 72,6 bilhões com juros controlados ante R$ 69,1 bilhões no ciclo anterior. Demais produtores terão R$ 452,5 bilhões no total, a maior parte a juros livres.
“Esse plano safra não cresce só em volume, ele melhora as taxas de financiamento. É uma redução de 10% [nas taxas] significamente maior do que a própria redução da taxa Selic no mesmo tempo [de 15% para 14,25% ao ano]”, disse o ministro da Agricultura, André de Paula, que lançou o Plano Safra 2026/27 ao lado do presidente em exercício, Geraldo Alckmin. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia.
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Juros
A linha de custeio dos grandes produtores cairá de 14% para 12,5% ao ano. Já os médios produtores terão alíquota de 9% ante 10% em 2025/26 no Pronamp.
As linhas do RenovAgro (Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis) e do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para grandes unidades, acima de 6 mil toneladas, terão juros de 9,5% ao ano. O corte foi de 0,5 ponto percentual em relação ao índice da safra 2025/26.
Já o PCA destinado ao financiamento de armazéns para até 6 mil toneladas terá os menores juros da agricultura empresarial: 8% ao ano ante 8,5% na safra anterior. No geral, o montante de recursos destinados para a armazenagem vai cair 28%, de R$ 8,2 bilhões para R$ 5,9 bilhões.
Para o RenovAgro Ambiental (voltado para a regularização ambiental, recuperação de áreas degradadas e preservação das propriedades rurais) e o RenovAgro para recuperação e conversão de áreas degradadas terão os juros mantidos em 8,5% ao ano na safra 2026/27.
Com desempenho aquém do esperado nos últimos anos, o Moderfrota, principal programa para aquisição de máquinas e implementos agrícolas, terá menos da metade dos recursos disponibilizados na safra 2025/26. O montante cairá 54%, de R$ 12,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões. Os juros foram ajustados para baixo. Grandes produtores pagarão 12,5% e médios, 11,5%. Na temporada anterior as taxas eram de 13,5% e 12,5%, respectivamente.
Inovagro, Proirriga e investimento empresarial terão juros de 11,5% ante 12,5% ao ano em 2025/26. Prodecoop e Procap-Agro, destinados a cooperativas, também tiveram o corte mais acentuado, de 1,5 p.p, e ficaram com taxas de 12% ao ano ante 13,5% na temporada anterior.
Os recursos a juros controlados sem equalização são de livre negociação das taxas de juros, carência e limites de financiamento.
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Fontes
Dos R$ 525,1 bilhões que serão anunciados para a agricultura empresarial, R$ 194 bilhões serão de financiamentos feitos por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs), emprestadas a juros livres, com recursos do direcionamento das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e poupança rural. As CPRs títulos não eram incluídas no cômputo do Plano Safra até o início deste governo.
Desde o ano passado, o Executivo passou a defender que há apoio federal na emissão das LCAs, com a desoneração do imposto de renda para os investidores, e que, por isso, deve incluir esses recursos como fonte oficial do crédito rural, mesmo que emprestados a juros livres. Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que oficializou a medida.
O Plano Safra 26/27 também terá R$ 331,1 bilhões em linhas tradicionais de crédito rural e outros programas, como o Move Agrícola (máquinas) e o Ecoinvest (recuperação de pastagens), que foram incluídos para inflar o número final.
Mesmo assim, o valor ficou abaixo do pedido feito pelo setor produtivo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) havia solicitado ao governo R$ 518,2 bilhões para médios e grandes produtores apenas pelas linhas tradicionais, sem contabilizar os títulos e outras fontes. Lideranças criticam a inclusão de outros recursos no Plano Safra.
Equalizados
O montante de recursos equalizados, que contam com a subvenção direta do Tesouro Nacional nos juros, disponível para médios e grandes produtores na safra 2026/27 será de R$ 97 bilhões, confirmou a fonte.
O valor representa uma queda em relação aos R$ 113,7 bilhões com recursos equalizados disponibilizados ao público no início da safra 2025/26. Ao longo da temporada, com remanejamentos feitos entre linhas e instituições financeiras, o montante caiu para R$ 91,3 bilhões.
Apesar do aperto orçamentário, o governo federal aumentou a previsão de gastos para a subvenção do Plano Safra. Na área empresarial, o custo será 41% maior, saltando de R$ 3,9 bilhões na temporada 2025/26 para R$ 5,5 bilhões agora. Essa é a verba aplicada pelo Tesouro Nacional ao longo de vários anos para equalizar a diferença entre o custo que os bancos têm para captar os recursos mais o spread e a taxa final cobrada dos agricultores que tomam os empréstimos.
Fonte: Globo Rural.










