Volume produzido deve cair 13,3% nas lavouras arroz e 0,5% no caso do feijão, segundo a Conab.
O volume da mais brasileira das combinações irá encolher em 2026. O país deve produzir menos arroz e feijão neste ano, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado nesta quinta-feira (15/01).
No caso do feijão, importante fonte de proteínas e fibras, o volume deve cair 0,5%, segundo a Conab, influenciado pela queda na área plantada (-1,9%). A produção total, somando as três safras, está estimada em 3 milhões de toneladas. O declínio é puxado principalmente pelo feijão preto, que deve ter queda de 12,4%.

Já a produção de arroz, cereal rico em carboidratos, deve sofrer uma redução de 13,3%, em razão principalmente do recuo na área plantada (-9,9%). Dessa forma, o país deve colher 11 milhões de toneladas em 2026. As lavouras já foram semeadas, e a colheita deve se iniciar na segunda metade de fevereiro.

O cenário desses dois alimentos que fazem parte do dia a dia dos brasileiros contrasta com a projeção de crescimento de 2,7% na produção de soja, principal produto agropecuário do país, que deve alcançar 176,1 milhões de toneladas, o que seria um recorde.
Mas como isso deve afetar o bolso do consumidor?
Para o economista Guilherme Moreira, coordenador do IPC Fipe, a queda na produção de arroz e feijão, isoladamente, não deve ter grande impacto na inflação. “Mesmo com uma produção menor, não é possível afirmar que toda essa variação chegará ao consumidor, especialmente por causa dos estoques elevados”, analisa.
No caso do arroz, o Brasil colheu uma das maiores safras da sua história no ciclo 2024/25, com 12,7 milhões de toneladas.
Moreira explica que, em 2025, ambos os produtos registraram queda nos preços ao consumidor, conforme o IPC Fipe: 25,7% no arroz e 6,2% no feijão. Somados, os dois itens representam 1,1% no índice de inflação.
“O problema é se tivermos algum evento climático não esperado – e cada vez isso tem ficado mais comum – que afete outros grupos também”, acrescenta.

Para o coordenador do FGVAgro, Guilherme Bastos, a queda na produção de arroz e feijão representa menos um risco inflacionário e mais um problema estrutural de mercado – que neste momento não deve sinalizar alta nos preços dos produtos.
Ele chama a atenção para o fato de não haver registros recentes de elevação no consumo de ambos os itens, bem como para a necessidade de se obter aberturas de mercado – o que no caso do arroz já existe – e a possibilidade de usos industriais, como a produção de etanol.
A Conab estima que o Brasil deve consumir 10,8 milhões de toneladas de arroz neste ciclo, número que tem apresentado pouca oscilação nos últimos anos. Já o consumo de feijão deve ficar em 2,8 milhões de toneladas, queda de 11% em relação a 2019/20.
“É a hora de começar a olhar alternativas de utilização desse excedente que é produzido. Se isso houvesse, a gente teria, pela sua demanda, uma garantia de consistência de oferta, que é o que acontece com a soja, o milho e outras culturas”, resume o especialista.
Na avaliação da Conab, não há risco de desabastecimento. “A expectativa é que o total produzido (de arroz e feijão) abasteça o mercado interno e ainda possibilite alguma exportação”, ressaltou o gerente de acompanhamento de safras, Fabiano Vasconcellos.
O que explica queda na produção
Em ambos os cultivos, a redução na área é explicada por quedas acentuadas nas cotações do produto, o que desestimulou os produtores rurais. Segundo o Cepea/Esalq, a saca de feijão preto tipo 1 valia R$ 185,18 há um ano em Curitiba. Hoje, está cotada a R$ 156,18 – uma queda de 15,7%.
No caso do arroz, a desvalorização foi ainda maior. A saca de 50kg estava cotada em R$ 99,76 há um ano. Agora, vale R$ 52,94 – um tombo de 47%.
A queda na cotação ao produtor tem se refletido também nos preços ao consumidor. O feijão preto acumula queda de 32,38% nos últimos 12 meses, segundo o IPCA. No arroz, essa queda é de 26,56%.
Segundo a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), além da pressão sobre os preços, o cenário é influenciado pelas dificuldades de acesso a crédito.
No caso do feijão, a combinação inclui preços pouco atrativos e condições climáticas adversas em parte das regiões produtoras, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).












